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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Um dó li tá... património com valor ou património a desprezar?


Hoje, dia 6 de junho, estivemos, mais uma vez, a pedido da DGLAB, nas instalações dos ex-Serviços de Cultura da Assembleia Distrital de Lisboa.
No gabinete da diretora, não fosse o pó e o cheiro a mofo, a par da acumulação de correspondência ainda fechada em cima da mesa de apoio, quase parecia que tudo estava ainda em funcionamento, como se aquela dirigente apenas estivesse ausente mas daí a nada voltasse ao seu local de trabalho... sintomas de um abandono forçado, em que nem tempo houve para organizar a saída, demonstrando uma certa irresponsabilidade na forma como se processou a transferência da universalidade jurídica desta entidade para o Estado. 


E naquela que foi a sala de leitura geral da Biblioteca, apesar da desarrumação e da camada de pó que cobre móveis, chão e livros, o que torna o ar quase irrespirável quando misturado com o calor insuportável que se faz sentir nesta época do ano (em parte devido ao facto de todas as janelas e persianas estarem fechadas para impedir o sol de causar estragos adicionais),  ainda ali podemos encontrar aquela que foi a última exposição realizada: Fragmentos D' Infinito.
Perante este cenário de indiferença (quiçá mesmo algum desprezo) é óbvio que a tristeza não é o único sentimento que sentimos... A revolta acaba, também, por nos invadir o peito. Infelizmente, muito pouco ou quase nada podemos fazer, a não ser dar notícia destas ocorrências a quem de direito e denunciar a situação publicamente. 


Mas, afinal, qual foi o objetivo desta visita?
É que, muito embora tenha havido na câmara municipal de Lisboa quem classificasse o acervo do Arquivo e da Biblioteca da ADL sem interesse, certo é que há investigadores que consideram o espólio ali existente fundamental ao seu trabalho e, por isso, o querem consultar.
Obtida a necessária autorização da DGLAB (entidade que é, agora, responsável pela sua tutela) foi pedida a nossa colaboração para ajudar a localizar os documentos em causa.

A propósito:
Lembrei-me da Recomendação aprovada pela Assembleia Municipal de Lisboa há um ano (mais precisamente no dia 02-06-2015) sobre a "Salvaguarda do património documental da ADL"... uma "espécie de contraponto" (ou, melhor dizendo, um "sintoma de algumas consciências pesadas?") à deliberação de rejeição da Universalidade Jurídica assumida na mesma data, baseada em pressupostos falsos e depois de um comportamento inqualificável do município de Lisboa que até provocou a existência de salários em atraso por 12 meses perante a indiferença dos autarcas.
A provar que esta recomendação se tratou de uma mera "figura de estilo" usada sem nenhum outro fim além da sua simples apresentação, está o esquecimento total a que o assunto acabou sendo votado. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Um mistério que permanecerá por desvendar.



Ontem, por solicitação da DGLAB (a quem coube os bens culturais da Assembleia Distrital de Lisboa: Arquivo, Edições e Biblioteca), voltámos às instalações sitas no 3.º andar da Rua José Estêvão, em Lisboa, para apoio à realização de alguns trabalhos técnicos de recolha de elementos sobre o arquivo corrente digital, o inventário dos livros da Biblioteca e a localização de alguns exemplares do Boletim Cultural.
Desde o passado dia 3 de dezembro de 2015 que deixámos de ter acesso aos ex-Serviços de Cultura da ADL pois foi nessa data que as chaves foram entregues ao novo proprietário: a DGTF.
E qual não foi o nosso espanto (quatro testemunhas representando três entidades distintas: a ADL, a DGTF e a DGLAB) ao verificar que a porta da Biblioteca embora fechada estava destrancada, as luzes estavam acesas, o projetor no pequeno auditório estava ligado e um armário encontrava-se com as portas escancaradas. Além do mais havia iogurtes no frigorífico e o filtro na máquina do café denunciava o seu uso (mesmo que o bolor indicasse ter sido há já algum tempo mas não tanto quanto aquele que seria de supor depois do encerramento das instalações há  já vários meses).
Um mistério que permanecerá por desvendar.
Mas o que mais custou observar foi mesmo o abandono a que se encontra votado todo aquele valioso património cultural como o pó e o cheiro a mofo o denunciavam. Uma tristeza que causa revolta pela forma como tudo aconteceu devido, sobretudo, ao comportamento de má-fé da Câmara Municipal de Lisboa

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A acumular pó e humidade.


Vídeo publicado no Canal do Youtube de Ermelinda Toscano a 13-03-2015. Embora a Biblioteca dos Serviços de Cultura da Assembleia Distrital de Lisboa estivesse encerrada ao público há vários meses, tinha ainda uma funcionária (que se manteve até 20-08-2015 e apenas saiu com a transferência da Universalidade Jurídica para o Estado):

«A partir da próxima segunda-feira, dia 16 de março de 2015, entre as 10h-12h e as 14-16h (todos os dias úteis), venha fazer uma visita à Biblioteca dos Serviços de Cultura da Assembleia Distrital de Lisboa para ver a exposição de fotografia “FRAGMENTOS D’INFINITO” da autoria de Minda.
Um pretexto para que possa verificar, por si, quais são as “características” deste espaço cultural da cidade (lamentavelmente encerrado ao público desde outubro de 2014 por motivos alheios à Assembleia Distrital) e aferir sobre o efetivo “estado de conservação" do respetivo acervo: mais de 30.000 obras, distribuídas por várias áreas do saber, da literatura às ciências sociais (com destaque particular para a história, história de arte, antropologia, etnografia e olisipografia) e a mais vasta coleção de periódicos, existente a nível nacional – mais de 400 títulos portugueses e estrangeiros.
Em simultâneo poderá, no nosso pequeno auditório, assistir à passagem do vídeo “D’SOUZA. Cinquenta anos de carreira” sobre a obra deste artista plástico. Duração: 10 minutos. Montagem de Ermelinda Toscano, com fotografias de Gena Sousa e música de Francisco Naia.
No final, como agradecimento pela sua presença, terá direito a receber um livro à sua escolha, de entre as obras editadas pela ADL e ainda disponíveis, para que também fique a conhecer o trabalho do seu Núcleo de Investigação: "Boletim Cultural", "Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa", "Revista de Arqueologia", "A Linguagem dos Pescadores da Ericeira" ou "Murteira. Uma Povoação do Concelho de Loures".»


Esta foi a última exposição efetuada naquele espaço e que ainda continua ali afixada apesar de, tal como os livros e o mobiliário, se encontrar a acumular pó e humidade.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A propósito de uma notícia na blogosfera.


Tendo por base o comunicado da Presidência da Assembleia Distrital, emitido em 26-09-2014, e uma notícia da LUSA publicada no jornal online "Oeste Global", o blogue "Pro-Jardim Constantino" noticiava assim o anunciado encerramento da Biblioteca dos Serviços de Cultura.
Infelizmente o pior cenário concretizou-se e hoje, dezembro de 2015, este equipamento cultural continua encerrado e os livros a acumular pó e humidade.
Quanto aos quatro funcionários da Assembleia Distrital de Lisboa (a quem,  em 15-12-2015 foram pagos, finalmente, os créditos laborais em atraso): três fazem parte do mapa de pessoal do município de Lisboa e a ex-diretora dos Serviços de Cultura encontra-se a exercer funções na Direção-Geral das Autarquias Locais.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Qual será o destino deste vasto espólio?


Há cerca de um ano a Biblioteca dos ex-Serviços de Cultura da Assembleia Distrital de Lisboa recentemente transferida para a tutela da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas nos termos do Despacho Conjunto n.º 9.507-A/2015, de 20 de agosto após a Câmara Municipal de Lisboa ter considerado este equipamento sem interesse para o Município devido às suas caraterísticas e ao estado de conservação do seu acervo, era assim descrita:


«Aberta todos os dias úteis, das 10h às 16h. Possui uma vasta sala de leitura geral, com boa iluminação natural e um sistema de projeção de vídeo para organização de conferências e debates.
Tem espaço Internet: dois postos fixos com quatro lugares, scaner e impressora individualizada. Dispõe de acesso wireless.
Na sala principal, tem vários painéis para exposições (pintura, fotografia) e/ ainda um setor onde se pode fazer pequenas mostras de escultura ou artesanato.

Tem 22 lugares disponíveis em mesas partilhadas a dois. Possui, ainda, três gabinetes de trabalho e uma sala de reuniões (mesa com 12 cadeiras).


É uma biblioteca generalista, com um vasto e diversificado espólio bibliográfico nas várias áreas de conhecimento, com especial destaque para arqueologia, ciências sociais, direito, economia e gestão, engenharia, etnografia, filosofia e psicologia, generalidades (dicionários e enciclopédias), história de arte, linguística, literatura, medicina, monografias regionais, olisiponenses e veterinária.

[A título de exemplo podem ser consultadas algumas listas bibliográficas]

Do inventário das obras existentes para consulta temos 59.713 registos, distribuídos pelas seguintes categorias: 50% - Livros; 30% - Revistas científicas e técnicas; 15% - Publicações periódicas diárias e semanais; 5% - Enciclopédias, mapas, roteiros, gravuras e outras publicações.

Relativamente aos seriados, esta biblioteca possui uma das mais vastas coleções existentes no país com 420 títulos portugueses e 136 estrangeiros, cobrindo um vastíssimo leque de regiões de Portugal (de norte a sul), países (de todos os continentes), matérias (abarcando todas as áreas do saber) e várias épocas históricas (com particular incidência no século passado).


Em termos logísticos necessita que sejam concluídas as obras de requalificação do espaço (colocação do equipamento de ar condicionado e do sistema contra incêndios que tem já têm a pré-instalação feita) iniciadas em março de 2013 mas, entretanto, suspensas devido aos problemas financeiros da entidade.
Apesar das instalações necessitarem de outras obras de melhoramento (substituição do piso e das janelas assim como dos móveis – mesas, cadeiras e estantes), que faziam parte do projeto aprovado pela Assembleia Distrital em 8 de maio de 2013 (no âmbito do Plano de Atividades desse ano), ainda assim a Biblioteca é um lugar que oferece grande potencialidade em termos de utilização polifacetada (leitura geral, estudo, debates, exposições, etc.).»

Encerrada há meses, sem qualquer espécie de manutenção e/ou limpeza das instalações, contas de telefone e internet canceladas, esta Biblioteca já não serve ninguém muito embora esteja num lugar central, carente deste tipo de equipamentos. Além de estarem a acumular pó e humidade, que será dos milhares de livros que por lá se encontram e que durante décadas serviram de apoio a estudantes e investigadores?

sábado, 31 de outubro de 2015

Biblioteca dos Serviços de Cultura da ADL. Uma breve história.

Veja AQUI várias fotografias deste equipamento que em 20-08-2015 passou para a responsabilidade da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, nos termos do Despacho Conjunto n.º 9.507-A/2015 (DR, 2.ª série, n.º 162).


«Ao tempo [1961], a inexistência de estabelecimento congénere numa zona onde proliferavam instituições de ensino (de níveis primário e secundário), colectividades recreativas, muito comércio e alguma indústria, afigurou-se-me ter cabimento a instalação de um organismo desta classe, em benefício da população residente ou flutuante.
Vencidas resistências sem conta, a Junta Distrital acabou por patrocinar a ideia, como meio para “celebrar o quadragésimo aniversário da Revolução Nacional”, segundo consta da acta da fundação, em Junho de 1966.
O projecto alcançou, desde cedo, largo agrado dos escolares e contagiou os adultos, porquanto o horário de abertura se estendia, ininterruptamente, entre as 9h e 20h dos dias úteis. Um livro de Desiderata facilitava a aquisição das espécies apetecidas. A afluência foi engrossando, a ponto de se formarem filas controladas de espera na portaria, para ocupação dos lugares que, eventualmente, fossem vagando.
Comecei, depois, a reparar que, no Jardim Constantino, borboletavam crianças com livros na mão, os quais iam requerer a rudimentar posto municipal ali existente, na quase totalidade de conteúdo desapropriado às suas idades.
De imediato requeri a adaptação de uma das salas a leitura infantil, dotada de espólio e mobiliário adequados. Desafortunadamente, a Administração (com a honrosa excepção do seu presidente) não aprovou a iniciativa. Vali-me, com alicerce na minha anterior prática pedagógica e após consulta pessoal à petizada, da obtenção de livros que desejariam ler, mas cujas economias familiares lho não consentiam. Acorriam em bandos, mas com aprumo comportamental e que ternura vê-los, embrenhados nas suas leituras preferidas, apesar de instalados em cadeiras que não tinham sido programadas para a sua estatura!
Durou anos, este enlevo. Até que, nos anos oitenta do passado século, um presidente da Assembleia pôs termo a esta graciosidade, alegando não apreciar encontrar-se nos elevadores com a chilreada dos inocentes.
Cresceram, entretanto, os fundo bibliográficos, estimulados não só por compra, mas, especialmente, por permuta com publicações – nacionais e estrangeiras – através das nossas próprias edições.
Com boa reputação e dezenas de milhar de obras escolhidas, a frequência passou, depois, a ser maioritariamente universitária dos vários ramos do saber, por aquisição de manuais de maior vulto financeiro. Estudantes que aqui foram cimentando seus cursos, obsequiados pela diligência, interesse e saber de funcionários seleccionados, alguns a frequentarem também cursos superiores. Muitos investigadores procuravam a Biblioteca, onde encontravam resposta a perguntas que noutros pontos não conseguiriam.
Generalista por natureza, e sem deixar jamais de o ser, especializou-se a Biblioteca em revistas periódicas, Estudos Literários, Linguística, Etnografia, História, História da Arte, Estudos Olisiponenses (estes em grande medida constantes do seu sector editorial). Esta plenitude manteve-se entre 1966 e 1991. A partir de então, escolhas de índole financeira uns, de vária natureza os restantes, conduziram-na ao que, presentemente, se observa. Mas a semente, o húmus, permanecem vivos e válidos. Qualquer bibliotecário empenhado saberá fazê-la reflorir e frutificar.»


Maria Micaela Soares, diretora dos Serviços de Cultura, por si criados em 1961, e pelos quais foi responsável até 1991 quando se reformou. Excerto da carta que dirigiu aos autarcas da Assembleia Distrital de Lisboa, apresentada na reunião de 17-10-2014 e que pode ler AQUI na íntegra.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Ainda por lá está.


Esta foi a última exposição realizada na Biblioteca dos Serviços de Cultura da Assembleia Distrital de Lisboa. Inaugurada em março/2015 continua afixada nos painéis de uma sala vazia, definitivamente encerrada desde 20 de agosto último.